A principal questão é entender por que esse descompasso acontece. Historicamente, Lula mantém uma base eleitoral consolidada no Rio Grande do Norte e aparece com desempenho significativamente superior ao de seus principais adversários na disputa presidencial. No entanto, essa vantagem ainda não se refletiu de forma consistente na candidatura de Cadu Xavier.
Uma das hipóteses levantadas por observadores da política potiguar é que o candidato do PT ainda carrega o peso da avaliação do governo Fátima Bezerra. Embora a gestão tenha promovido investimentos em áreas como infraestrutura rodoviária, educação e recuperação das contas públicas, parte do eleitorado mantém uma avaliação crítica da administração estadual. Ao mesmo tempo, aliados da governadora argumentam que sua gestão enfrentou forte desgaste político e intensa exposição negativa ao longo dos últimos anos, fatores que também podem ter influenciado a percepção popular.
Esse contexto cria um desafio para Cadu Xavier: construir uma identidade eleitoral própria sem deixar de representar a continuidade do projeto político liderado por Fátima Bezerra e pelo presidente Lula.
Outro fator que pode alterar o rumo da disputa é o início da propaganda eleitoral. A expectativa nos bastidores é sobre o nível de participação de Lula na campanha estadual. Caso o presidente grave programas, participe de agendas e vincule diretamente sua imagem à candidatura de Cadu Xavier, existe a avaliação entre parte dos analistas políticos de que o petista poderá crescer nas pesquisas e disputar uma vaga no segundo turno. Essa possibilidade se apoia no histórico de influência de Lula em eleições no Nordeste e em episódios anteriores da política potiguar, quando seu apoio teve impacto relevante sobre campanhas estaduais.
Por outro lado, se essa associação não ocorrer de forma intensa durante o período eleitoral, a tendência apontada por parte dos especialistas é que a disputa permaneça concentrada entre os candidatos que hoje aparecem nas primeiras posições das pesquisas.
No fim das contas, a eleição para o Governo do Rio Grande do Norte pode ser definida justamente por essa resposta: a popularidade de Lula será suficiente para impulsionar Cadu Xavier ou o eleitor potiguar fará uma escolha diferente entre a disputa nacional e a estadual? Essa é uma das principais incógnitas da campanha de 2026 e, provavelmente, uma das questões que só começará a ser respondida quando a propaganda eleitoral entrar oficialmente no ar.
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